A Semana Universitária Mocoquense


Marcelo Augusto da Silva
http://marceloaugustodasilva.blogspot.com

Durante essa época do ano as importadas festas de peão tomam contam dos calendários dos eventos de muitas cidades brasileiras, nossa região não é uma exceção. Até pequenos municípios já investem nesse entretenimento, pois sem dúvida, ele é muito rentável. Freqüentado por pessoas de diferentes níveis sociais e de faixa etária, mas atraindo principalmente os mais jovens (tanto é que o estilo musical fabricado no momento é denominado de sertanejo universitário, justamente para agradar esse público), esses eventos arrastam multidões.
Porém quem não se sente agradado por esse segmento musical bem como a sua festa e prefere ficar longe dos gritos de um narrador de rodeio ou de uma dupla sertaneja ao microfone, nossa cidade vizinha de Mococa, como faz há várias décadas, não se intimida com a concorrência e apresenta todo mês de julho a sua tradicional SUM (Semana Universitária Mocoquense).
Na sua 42ª edição o acontecimento cultural mostra que é possível disponibilizar à população uma programação que não fica presa a modismos ou imposições da cultura de massa. A própria trajetória do evento já o reveste de mérito, pois ele nasceu como algo feito pelos universitários e destinado a eles, ainda mais onde a sua primeira edição data o ano de 1967, período em que o Brasil era governado pela ditadura militar, institucionalizada naquele mesmo ano por uma Constituição elaborada pelos militares, e um ano antes do AI-5 (Ato Institucional nº5) que determinou o fechamento do Congresso e a censura no país. Só para lembrar os jovens e principalmente os estudantes eram alvos da ditadura, justamente pela sua postura consciente e contestadora.
Após isso o evento atravessou a redemocratização política, enfrentou vários estilos de moda e de música que fizeram a cabeça de muitos; passou por várias mudanças de comportamento da juventude que já não tem mais a ideologia de outros tempos, e mesmo assim ele se mantém forte, provando que é possível fazer algo original e que muitos não são dominados pela moda. Quem teve a oportunidade de participar do evento pôde ter o privilégio de assistir o magnífico show do pernambucano Otto (ex-Mundo Livre S/A) que acompanhado de sete excelentes músicos, entre eles Bactéria (também ex-Mundo Livre S/A), presenteou um público seleto com toda a sua originalidade musical com suas canções que misturam vários ritmos. Humilde e grato o artista certamente agradou a todos os presentes. Outros espetáculos e atividades foram realizados durante a semana como oficinas, exibição de filme, palestras, entre outros. Àqueles que por algum motivo não puderam prestigiá-los e que quiserem fazer parte dessa semana cultural ainda há tempo de ver alguém de talento e com alta capacidade musical pois no sábado tem o músico maranhense Zeca Baleiro com seu show autenticamente brasileiro, apresentando sua composições que passam da embolada até chegar às baladas. É uma dica e uma oportunidade imperdível para quem aprecia um estilo musical diferenciado e de qualidade.

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