SAÚDE

As emoções que engordam

Thereza C. Giorgi e Cristina C. Fonseca - psicólogas

O tema da obesidade tem sido amplamente discutido e divulgado.
Numa sociedade de consumo que estimula, por um lado, a beleza, o corpo perfeito, a saúde plena, a qualidade de vida e por outro vende indiscriminadamente, através da mídia, produtos alimentares e o consumo desenfreado de tudo, cria no homem a necessidade de ter e ser.
Que mundo louco é esse em que vivemos? Se pararmos para analisar, podemos entender quão contraditório e conflitivo ele é, senão entramos num ciclo vicioso sem perceber que fomos dominados e somos controlados pelo consumo.
Nessa vida cosmopolita a correria contra o tempo, trânsito, afazeres, por si só já geram estresse e ansiedade. Uma pessoa inserida neste contexto e com uma doença como a da obesidade sente os danos muito mais intensamente do que aquelas que possuem um corpo mais saudável. O que fazer com o desejo de comer, com a compulsão, sem que isto leve a um aumento nocivo do peso?
A compulsão seja ela qual for, individualmente pode ser entendida como um descontrole sobre o desejo e coletivamente, como um sintoma que expressa as conseqüências negativas do consumismo desenfreado. A grande questão é que esse consumismo agrega muitos valores, entre eles, o sonho de ser bem sucedido, valorizado, membro ativo da sociedade e a sensação de poder que o ter garante.
A própria mídia divulga vários tratamentos para a cura da obesidade. Muitos obesos alegam que já tentaram diversos, mas que não obtiveram bons resultados a longo prazo.
A questão do emagrecer, na medicina, está associada à saúde. Normalmente, a pessoa com excesso de peso busca emagrecer para não se sentir marginalizada. Com isso acaba iniciando um caminho, muitas vezes, exaustivo e frustrante. Faz acompanhamento médico e nutricional, mas não consegue segui-los a risca. Nesse caso o problema então seria o de não ter força de vontade ou de não se comprometer com o tratamento?
O conflito gerado pela oposição do ter acesso a tudo e ao mesmo tempo não poder ingerir aquilo que lhe parece prazeroso, com o intuito de obter uma vida mais saudável, já é um fator altamente determinante no fracasso do tratamento, pois gera ansiedade e estresse. Isso sem considerar que cada indivíduo tem sua própria história e que a comida, desde o seu nascimento, esteve associada aos afetos. Uma criança que com grande freqüência recebe comida, ao chorar, não aprende a discriminar seus sentimentos e na vida adulta, cada vez que sentir ansiedade, medo, frustração, excitação e etc, vai buscar no alimento o conforto para suas turbulências emocionais. Isso gera um ciclo vicioso, pois não resolve o problema.
Logo, é importante considerar todos os aspectos que envolvem a obesidade, como genéticos, ambientais e psicológicos.
Sem a compreensão do macro e do micro na questão da obesidade, cada vez mais pessoas estarão doentes. Para isso é preciso pensar, refletir e se permitir buscar o autoconhecimento.

Um comentário:

Anônimo disse...

Interessante o ponto de vista do artigo, freqüentemente esquecido quando se fala de emagrecimento.
Muitas vezes as pessoas pensam em fazer regimes à base de desesperantes privações de alimentos, quando na verdade um trabalho psicológico poderia, em certos casos, resolver o problema.
Parabéns às articulistas