Eu e o futebol: Os homões do futebol


EMÍLIO ANTÔNIO DUVA

No ano de 1978, tão logo encerrei minhas atividades no Exército Brasileiro, fui a São Paulo passar uns dias de férias. O mundo chorava a perda de dois papas numa diferença de 25 dias.
Assumiria o trono de São Pedro um polonês troncudo, mas de uma índole de paz. De muita paz indubitavelmente. 
Sou o primeiro rio-pardense (talvez o único) que viu, no dia 8 de julho de 1978, no Pacaembu, um jovem de porte físico avantajado, de muita garra e futebolisticamente limitado atuar – o camisa 3 do Caxias (RS).
Seu nome: Luís Felipe. Prevalecia-se de força física (bruta mesmo) para espantar os meias e centroavantes da área melindrosa. Na Suíça, o nosso pacífico papa polonês esquiava, em trajes próprios, para espanto e delírio da fiel... cristandade. No campo de futebol a fiel... torcida aplaudia um outro marrudo, Xerifão Moisés. Naquele sábado, o timão empatou o jogo em 0 a 0 com o Caxias tendo Luís Felipe (Scolari) na zaga, pelo seu desempenho, acabou virando o Felipão. Consagrado, respeitado e temido.
E o túnel do tempo me leva para o ano de 1972. No estádio do Mineirão, com um Cruzeiro repleto de estrelas, recebendo o aguerrido Mengo do homão Yustrich (sim, o mesmo Yustrich que treinava os goleiros com murro no peito, o mesmo que quase tomaria um tiro de João “sem medo” Saldanha; o mesmo que aos berros fazia seus atletas treinarem de madrugada em pleno o inverno).
Hercules (veja só) Brito Ruas veio emprestado do Vasco para o Fla em 70. O Homão era o técnico do time. Por causa de um cigarrinho marca Minister, na primeira concentração de Brito no Fla, Yustrich o afastou do elenco. Nem regra 3.
Banido e chutado, ele foi convocado para ser titular da seleção Tricampeã – ninguém, na época, poderia precisar qual o time que representava devido ao mal fadado acontecimento. Nosso apurado zagueiro passou a treinar dedicadamente na Escola de Educação Física do Exército. Resultado: foi eleito o melhor preparo físico da Copa de 70 – vencendo os sisudos alemães, inquietos italianos, desleais ingleses e catimbeiros uruguaios em seu mister.
E justamente neste zero a zero entre Cruzeiro e Flamengo, Brito foi eleito o melhor jogador em campo, levando todos os motorádios. Ao chegar a poucos centímetros do banco reservas do Flamengo, atira com vontade e desumana raiva contra seu algoz, à camisa suada e pesada de sua honra no rosto do Homão. Este atraca-se com Brito e desenrola-se uma das mais brutais desavenças entre dois gigantes-desafetos.
Dizem que foi a primeira vez que o Mineirão tremeu.

Na próxima edição: O Furacão da Copa de 70

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