ARTIGO


Isto é um debate?


Alessandra Possebon - estudante de jornalismo

Na última semana houve um suposto debate sobre violência. A discussão partiu de um texto escrito pelo apresentador Luciano Huck publicado no jornal Folha de São Paulo e da resposta a tal texto pelo rapper Ferréz, publicado no mesmo jornal. Luciano teve seu relógio rolex roubado em São Paulo e escreveu um relato do assalto e a mostra de sua indignação.
Ferréz procurou mostrar a realidade do suposto ladrão.
O artigo de Huck não passou de um desabafo, começa com “Luciano Huck foi assassinado” e termina com “Isso não está certo”. O texto é só isso. Quisera eu ter a minha disposição a página três de um dos maiores jornais do País só para reclamar da vida toda vez que ficasse triste.
Ferréz, que escreve sobre a periferia e conhece muito bem essa realidade, criou uma ficção em que o personagem não é simplesmente um bandido, ele também tem uma família e uma história, não das mais felizes, por trás de suas atitudes.
Ambos não colaboraram para uma real discussão, abusaram de clichês. Um defendeu o direito de ser rico e o outro o direito de querer ser rico.
Os leitores escreveram cartas para o jornal, publicaram textos em blogs, porém, percebi que houve muito “achismo” de ambos os lados. As falas correram em torno da questão: rico pode reclamar da vida?
Tal questionamento me faz lembrar o tal movimento das elites, o “Cansei” e a última reportagem de capa da revista Veja (a mais vendida do país) em que se conclui que os usuários de drogas são os responsáveis pelo tráfico.
Viva o simplismo! Todos correm para as bancas para ver a Mônica Veloso, todos correm para saber quanto custava o tal relógio do Huck, mas faltam discussões sobre os reais problemas, faltam ações que busquem soluções.

Clique AQUI
e leia o artigo de Luciano Huck

E AQUI para ler a resposta de Ferréz

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