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O Homem Elefante


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

O que nos faz venerar uma obra de arte eternamente? A beleza contida nela? A poesia subentendida? A ponte que ela faz com a realidade? Caiu em minhas mãos, assim quis o destino, essa jóia do diretor David Lynch.
Ele, que é considerado o mestre do bizarro e do caos (inclusive, vale citar que essa “esquisitice” é congênita: sua filha Jennifer Lynch dirigiu o clássico trash Encaixotando Helena– assistam porque é bom) fez essa maravilha, que nos faz debulhar em lágrimas e sorrisos: choramos
porque é uma história sensível, um drama que comove; damos risada pelas ironias da história: o mostro é o homem e o homem é o monstro.
Lançado em 1980, nos Estados Unidos, o longa de 118 minutos conta com atores de peso como Anthony Hopkins, John Hurt, Anne Bancroft, entre outros. O roteiro foi assinado por Christopher De Vore, Eric Bergren e David Lynch e foi baseado no livro de Sir Frederick Treves (o verdadeiro médico da trama) e Ashley Montagu.
A história é sobre John Merrick, um homem de seus 20 e poucos anos que carrega o peso de uma doença que deformou 90% do seu corpo. Por esse motivo, era exposto em verdadeiros circos de horror, se passando por monstro. As coisas mudam quando Treves o conhece e decide apostar todas as suas fichas numa possível recuperação.
Interessante é perceber que, ao longo do longa, nossa relação com a personagem vai mudando: logo de início vem o incômodo, a angústia, a estranheza, mas, com o passar das cenas, vamos nos apaixonando por Merrick, e conseguimos enxergar que coisas diferentes são belas. É o sapo que virou príncipe.
O filme nos mostra que em todo ser humano existe uma possibilidade, cada homem pode ir muito mais além do que ele consegue imaginar e que a inclusão social é sempre importante, independente da área de nossas vidas.
Algumas curiosidades: John Merrick foi criado em cima do verdadeiro Homem Elefante, Joseph Merrick, que era assim chamado por portar uma rara doença (diagnosticada em 1996 como Síndrome de Proteus). Para cada maquiagem feita em Hurt, eram necessárias 12 horas seguidas e Lynch até tentou ser o maquiador, mas desistiu após não conseguir chegar ao resultado esperado.
Enfim, um clássico maravilhoso e emocionante, onde a palavra central é redenção: precisamos fazer um “link” entre aquilo que somos hoje e o que vamos ser um dia, afinal, como dizia Ulisses Tavares: “olha de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris”. Assistam e preparem os lenços!

Artigo: Avatar


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Demorou mas está aí! O filme já foi visto por todos os mortais, mas, por força do destino, só agora consegui prestigiar essa nova história de James Cameron.
Ouvindo os inúmeros elogios e as escassas “intrigas da oposição”, pude observar uma coisa séria sobre essa obra: é algo sensível que me fez nadar em minhas próprias lágrimas! A maior reação que tive foi: chorar, chorar e chorar. Por quê?
Ora, porque além dos inúmeros e incríveis efeitos especiais, além dos rostinhos bonitinhos que aparecem na tela, Avatar é muito mais do que um filme guiado por a mais nova tecnologia para criar arte ou por atuações e coreografias que impressionam.
A história é muito mais profunda. É mística e nos ensina muito sobre todas as criaturas do universo. Além do bem e do mal, de seres humanos e extraterrestres (aliás, nesse filme nós somos os ETs) há uma ligação, uma inter relação entre tudo e todos, uma harmonia cósmica que equilibra a vida, e é essa fonte da criação que devemos respeitar.
Para quem não sabe, Avatar é uma entidade hinduísta, cujo significado é “descida”. Em outras palavras, é Vishu reencarnando no corpo humano. É aquele que descende diretamente do divino. Um avatar é uma forma encarnada de um Ser Supremo que reside no plano espiritual. Ironicamente, a raça humana cria o avatar que é resgatado por um povo “selvagem”. É a clássica história do feitiço que virou contra o feiticeiro, e é aí que reside a maravilha e o encanto da trama: tudo é muito simples e só precisamos dessa simplicidade para viver em paz. Precisamos respeitar todos os lugares e seres, porque em cada pedaço desse todo há traços da divindade. Tudo é divino! As pessoas que simplesmente se encantam com os efeitos não têm menos razão, pois cada criatura, cada parte da floresta, cada cor alucinógena foi fruto de anos de trabalho e dedicação de uma equipe extremamente profissional e o resultado foi fascinante.
Enfim, Avatar é uma obra fantástica em todo o seu conjunto. O que supera muito as mega produções é que além de um trabalho técnico impecável, há um enredo profundo e místico, que realmente toca o cinéfilo.
Assistam (embora acredite que todos já assistiram)!

Elementar, meu caro Watson


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Há alguns raros casos na história do cinema e literatura em que a criatura supera o criador. Por exemplo, todos sabem que o professor Robert Langdon foi criado por Dan Brown, que Hercule Poirrot foi concebido por Agatha Christie, Capitão Nemo veio da imaginação de Julio Verne, e assim por diante. Entretanto, Sherlock Holmes ganhou uma força tão surpreendente que muitas vezes se passa por uma pessoa real. São poucos os casos assim – Drácula é um clássico exemplo.
Quando bem mais jovem, era fã dos livros de Sir Arthur Conan Doyle – especialmente O cão dos Baskervilles, leia quem ainda não conhece, é o melhor de todos – e desde aquele tempo, sempre acreditei piamente que Holmes tinha existido de verdade. Ainda lembro o dia em que li, pela primeira vez, uma curta biografia de Doyle e a explicação amarga de que um dos seus mais famosos personagens era ficção. Minha adolescência desmoronou ali mesmo!
Não é a primeira vez que o detetive aparece no cinema – alias, são inúmeros os filmes- mas Guy Ritchie fez uma mistura que vale a pena investir algumas horas de nossa vida para dar risada do sarcástico Holmes (Robert Downey Jr.), do sensual Dr. Watson (o lindo Jude Law) e da trapaceira Irene Adler (Rachel McAdams).
A história é bem próxima dos livros de Doyle: mistério, assassinato, sobrenatural, ciência, inteligência e muito sarcasmo – aliás, esse foi o toque especial da obra. Holmes continua tocando violino muito mal, ainda é depressivo, com muitas dificuldades de relacionamento interpessoal e o mais puro sangue britânico. Entretanto, ele agora é lutador de boxe, apaixonado pela ação e com uma forma física um pouco diferente da apresentada aos fãs em Um estudo em vermelho, o livro que mais detalhadamente narra o perfil físico do detetive: 1,80m, muito magro, nariz agudo de águia e olhos penetrantes – exceto quando estava sob o efeito de cocaína. Robert Downey Jr. não é tão alto, é muito charmoso e em nenhum momento aparece usando drogas (com exceção de alguns medicamentos pesados). Entretanto, ele tem uma coisa muito importante: o raciocínio brilhante e veloz, o senso de humor duvidoso – o que o torna engraçado – e o carisma da personagem.
Assistam! É bom.

Marley e eu - e Amarildo


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Ok, por que falar de um livro e filme que todo mundo já leu ou assistiu? Ora, pelo simples fato de ser uma história maravilhosamente sensível que todos ou a grande maioria já conhece: fala de uma família em formação que adota Marley, um cão labrador que os ensina valores como amor, fidelidade, respeito, tolerância e inúmeras lições que só o convívio com um animal pode nos mostrar.
Numa dessas noites atrás, assisti na TV o filme (só conhecia o livro) e, minha reação foi a mesma: rios de lágrimas e um profundo sentimento de amor. Por que? Ora, porque tenho um Marley em minha vida. O meu não é um labrador, mas é tão amoroso, arteiro, bagunceiro, engraçado quanto.
Amarildo é um basset daschund caramelo, é uma tripinha magrela, mas tão amoroso, arteiro, com um apetite voraz por tudo o que não é comestível, curioso e elétrico, que é impossível não se apaixonar.
Antes dele vieram outros: Thuska Helena (in memorian), Nani (in memorian), Azul Turquesa, Mancha (in memorian) e Semente(in memorian). Todos esses cachorros me ajudaram a me transformar no ser humano que hoje sou. Aprendi sobre o verdadeiro valor de uma amizade, o amor incondicional, a tolerância e respeito que temos uns com os outros, a ter uma melhor qualidade de vida, a ser humilde.
Amar um animal e tê-lo ao seu lado é algo indescritível. Você nunca se sente sozinho porque eles sempre estarão lá, com seus olhares pedintes de amor, com o rabo elétrico e com sua língua salivante para te dar um enorme beijo canino que irá te lambuzar todo. Há quem diga que é muito trabalhoso cuidar de um ser assim, porque eles fazem sujeira, defecam, etc. Mas, posso garantir que, por mais que essas pequenas coisas possam parecer grandes, na verdade são minúscula perto do afeto que você tem em troca. O animal vive cerca de 10 anos, e nós uma média de 80, então, claro que vamos vê-los envelhecendo, adoecendo e partindo para outro lugar e, quando isso acontece, o buraco que abre na nossa alma é tamanho, a dor da perda é tão profunda que, muitas vezes, chegamos a adoecer. Entretanto, perdas fazem parte da vida e se sentimos tal coisa, é sinal de que isso foi muito importante e forte durante nossa existência (só sentimos falta do que foi realmente bom).
Já ouvi falarem por aí que conviver com o animal é muito doloroso porque esse dia da despedida vai chegar. Poxa, essa é a forma mais egoísta de sentir algo.
Pensem, se um cão está ao seu lado durante 10 anos, serão, no mínimo 10 anos de festa e uma fase de despedida e quando essa acontece, você já não é mais a mesma pessoa, pois, com certeza seus valores, sua sensibilidade se aperfeiçoaram.
Amar um animal é aprender a amar o universo e a si- mesmo. Foi isso que John Grogan conseguiu mostrar na sua obra e eis aí o segredo de tanto sucesso e de vendas tão bem sucedidas. Só quem tem um Amarildo sabe do que estou falando!

Atividade Paranormal – Assustador


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Imagine colocar uma câmera ligada a noite toda enquanto você dorme. Será que estamos sozinhos? Será que realmente é tudo tranqüilo enquanto descansamos? O casal Micah e Katie são a prova, pelo menos cinematográfica, de que nem tudo é o que parece ser.
Ao estilo Bruxa de Blair, o terror psicológico do estreante Orien Peli, produtor de videogames que escreveu e dirigiu o roteiro, consegue ser terrivelmente assustador sem mostrar uma única cena apelativa.
Micah compra uma câmera para provar que os fenômenos paranormais presenciados por sua namorada são reais. Com o instrumento em mãos, ele filma as ações mais rotineiras do casal em esperança de que o suposto fantasma mostre suas ações.
A história toda se passa dentro de uma casa e há somente quatro personagens durante o longa toda (seriam cinco se contássemos o responsável pelas manifestações demoníacas). Seguindo a fórmula eficiente de Daniel Myrick, roteirista e diretor de A Bruxa..., Atividade Paranormal tenta induzir o público a acreditar que a história é real, e isso funciona. Por alguns momentos nos sentimos como verdadeiras testemunhas de um fato real, ocorrido em algum lugar do planeta, com pessoas inocentes vítimas de um mundo desconhecido. Além da forma como é filmado (câmera trêmula e imagens muitas vezes ruins), há também a aparição de agradecimento a família supostamente afetada pela história logo nos créditos iniciais do filme e um final em forma de documentário que deixa uma grande interrogação na mente das pessoas.
Esse filme que, cá entre nós, custou a bagatela de U$ 15 mil, valor que representa um baixíssimo orçamento quando o assunto é Hollywood, pode, até o fim da temporada, se tornar um dos mais rentáveis em bilheteria. Outra curiosidade está no fato de que Steven Spielberg, dizem por aí, assistiu, gostou e aconselhou Orien a mudar o final da história para possibilitar uma futura continuação. Para amantes do frio na barriga, é um assunto obrigatório (dizem que haverá continuação e que esta já está em andamento – embora duvide que irão conseguir fazer outra obra como esta). É um longa sombrio, perturbante, assustador.

Bastardos Inglórios, Tarantino arrasa


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Sem dúvida alguma, ele figura na lista de um dos melhores diretores e roteiristas de todos os tempos. Sou extremamente suspeita para falar a seu respeito, já que ele dá um show em tudo o que faz. Desde sua estréia com Cães de Aluguel, Tarantino não parou mais de mostrar sua criatividade e competência.
Com Bastardos, a situação não poderia ser diferente. Imaginem a Segunda Guerra Mundial com um desfecho totalmente diferente. Um Hitler cômico, um revolucionário tenente americano com um sotaque rural bem marcante (observem a cena em que Brad Pitt se passa por um italiano – hilário), um grupo de rebeldes judeus, uma judia com sede de vingança e um sádico e inteligentíssimo coronel alemão compõe essa que é a oitava maravilha de Tarantino e a primeira obra a tocar no tema Guerra. Nesse mesmo clima de primeira vez, podemos dizer que foi o primeiro filme em que o diretor coloca uma estrela da grandeza de Brad Pitt (lembramos que a estrela principal de suas obras sempre foi ele mesmo).
O segredo da obra é não narrar nada do que ocorreu realmente durante o período. A história é sobre fatos isolados ocorridos durante a guerra numa França ocupada por nazistas e que no desfecho final se vêem interligados. Soshanna tem a família massacrada pelo coronel Hans Landa e cresce com desejo de vingança. O tenente Aldo Raine comanda um grupo de soldados judeus, praticantes de escalpamento e algumas artes de guerra (tipicamente Tarantino), que tem o objetivo de eliminar o ninho de oficiais nazistas. No final, todos, inclusive Hitler, se encontram no mesmo cinema para assistirem ao “gran finale” da história. Simplesmente surpreendente. Quem merece destaque pela atuação impecável é o ator austríaco Christoph Waltz, que interpreta o coronel Hanz Landa, o vilão da história. Praticamente anônimo em vários lugares do mundo, ele superou Brad Pitt e mostrou uma performance excepcional. Com ar cínico, interpretação perfeita, Waltz roubou a cena e conquistou o premio de Melhor Ator no Festival de Cannes, recebendo uma indicação para o Oscar 2010. Impressionante e inesquecível, com certeza Hollywood não pode deixar de aproveitar o talento desse ator. Assistam e divirtam-se e guardem bem o nome de Waltz, pois ele ainda vai conquistar ótimos papéis na telona.

A festa da menina morta


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

O mais novo filme de Matheus Nachtergaele na direção provoca uma sensação de incômodo e desconforto, mas é interessante. É um filme forte, denso, provocante e que prende o público do início ao fim, coisa que é um pouco raro (mesmo com essa nova e ótima safra) no cinema nacional.
Daniel de Oliveira é Santinho, um personagem tido como santo do local, mas que na realidade vive uma vida oposta, cheia de chiliques, impaciência e coisas mundanas. Perfeitamente representado, longe de exageros, podemos dizer que sua interpretação está à beira do teatral, mas distante do caricato. (quase um dos melhores papéis de sua carreira – se não fosse pelo emocionante e sensível Cazuza).
Numa comunidade amazônica, uma menina desaparece na região, e tempos depois, um cachorro traz farrapos do que restou da roupa da criança e entrega à Daniel (Santinho), que ganha fama de santo por se comunicar com o espírito da menina. Porém, conforme já foi dito acima, essa não seria exatamente a pessoa perfeita para ser canonizada – além das crises histéricas, ele também usa vestido e vive uma relação incestuosa com o pai. Um ponto interessante na narração, é que o filme consegue mostrar os hábitos, costumes, valores, etc., da população local.
Apesar de ter uma crítica não tão favorável, pois alguns alegam principalmente que a cena sutil de incesto não deveria existir, o curta merece crédito. A fotografia é de Lula Carvalho e é maravilhosa. A equipe técnica é muito competente. Jackson Antunes e Cássia Kiss merecem atenção.
Mas, o crédito mesmo talvez deva ser da mistura de emoções que essa obra é capaz de despertar no telespectador. Um misto de incômodo, repulsa e aceitação, entre outros sentimentos ambíguos, após sair das salas.

Loki – filme sobre Arnaldo Baptista


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Em forma de documentário, o filme Loki – Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle, retrata toda a história do músico-líder dos Mutantes.
Gravado originalmente para programa de TV do Canal Brasil, o sucesso iminente o fez seguir rumo à telona, dando oportunidades a todos os antigos e atuais fãs de acompanhar essa interessante história.
Recheado de depoimentos de nomes como Tom Zé, Gilberto Gil, Liminha, Lobão, Sérgio Dias e muitos outros, a obra mostra toda a trajetória do músico, um dos grandes representantes da geração 60/ tropicalismo, não só em termos musicais, mas comportamentais também.
A história procura não deixar nenhum detalhe de fora, mostrando o sucesso de Mutantes, o casamento com Rita Lee, a difícil adaptação pós-divórcio, o uso abusivo de drogas, as diversas internações, a tentativa de suicídio (quando se jogou do quarto andar de um hospital psiquiátrico e sofreu traumatismo craniano), a difícil aceitação do fim do grupo, a depressão, medo, dor, angústia, paranóia e incertezas em que o gênio mergulhou, até sua árdua superação e renovação de atitudes (há quem diga que o que realmente aconteceu, foi seu encontro com a loucura psicótica total).
Mas, louco ou não, ele conseguiu se restabelecer e se acomodar numa vida pacata no interior de Minas, conforme narra o filme.
Para quem conhece e curte, não é novidade o que vou contar, mas o mérito de Arnaldo venha, talvez, da sua grande capacidade eclética para mesclar ritmos como glam rock, rock and roll, boogie-woogie e progressivo, adquirindo um estilo único e incomparável (como sugestão, procurem ouvir o disco Loki?, digno de gênio e primeiro trabalho solo do compositor).
O filme, que concorre na categoria Filme/Doc. Musical do Ano do VMB/09 da MTV, está disponível em salas de cinema e devemos encontrar na net para download.
Uma ótima dica para matar a saudade!

Lars Von Trier incomodou novamente


Marcelo Augusto da Silva

Nessa semana tive a oportunidade de assistir Anticristo, o mais recente filme do genial diretor dinamarquês Lars Von Trier. Envolvido numa atmosfera de expectativa e ânsia em vê-lo, o longa metragem superou muito aquilo do que eu esperava, principalmente ao comprovar que houve graves equívocos divulgados pela imprensa a respeito do filme.
Inicialmente o classificaram como sendo um filme de terror, o qual nem de longe ele chega a ter essa qualificação, trata-se de um drama pessoal ou, no máximo um suspense psicológico. O mais interessante é que o primeiro público que pôde assistir ao filme taxativamente o acusou de violento, sanguinário e “pornográfico”. Depois de assisti-lo cheguei à conclusão de que tudo o que foi dito inicialmente sobre ele partiu de pessoas desqualificadas para falar sobre tal assunto e que também não sabem apreciar um cinema de qualidade como esse, feito fora dos padrões convencionais e distantes dos moldes comerciais hollywoodianos; ou então as críticas negativas vieram pelo fato do diretor colocar o dedo na ferida ao trazer para a tela os mais obscuros sentimentos, medos e angústias do ser humano, atormentando quem o via.
Os próprios jornalistas numa coletiva após a sua exibição em Cannes tiraram o diretor do sério ao fazerem perguntas estapafúrdias, chamando-o nas entrelinhas de insano; sem deixar se envolver pelo que estava sendo dito, ele respondeu às besteiras com o argumento de que ele não faz filmes pensando se as pessoas vão gostar ou não, mas sim pelo fato de realizá-lo como um prazer, e foi mais além afirmando que ele é o melhor diretor do mundo e isso lhe dá o direito de realizar qualquer tipo de obra. Se ele é o melhor diretor ou não é um ponto duvidoso, pois nas artes não há melhores nem piores, apenas aqueles que se destacam mais em determinados momentos ou obras, embora o filme tenha condições de colocá-lo nessa classificação.
Numa estética diferente de outras suas grandes obras como Dogville e Os idiotas, mas tão incômodo quanto elas, Lars Von Trier penetra dessa vez no universo perturbador de um casal cujo filho cai da janela do apartamento enquanto os pais praticam sexo num cômodo distante do quarto do bebê. A mãe, uma escritora que trabalha numa tese sobre a perseguição às mulheres na Idade Média, não suporta a perda e entra num estado de total desespero e depressão, o pai psicanalista tenta recuperar a esposa do trauma com o abandono da medição e fazendo-a embarcar na sua terapia numa cabana isolada localizada num lugar chamado, não coincidentemente, de Éden. Cenas de sexo e de auto mutilação são presentes no filme, porém feitas com o maior grau de requinte e com um propósito, sem chegar ao nível da vulgaridade ou da apelação o que não dá o direto de alguém a ofender ao diretor e sua obra. Intrigante é que os filmes que temos nos cinemas e nas locadoras são recheados de trechos exibindo cenas como essas, contudo com um grande diferencial, pois elas estão ali para atrair a atenção do público, sendo que todos as assistem passivamente, sem nenhum questionamento, e não as encaram como algo fora do normal assim com foi feito em Anticristo. Entendo que as acusações feitas ao diretor nada mais foram do que uma reação do pânico causado pelo diretor que incomodou e abalaram aqueles que se viram diante de uma realidade tão crua exposta na tela.
Quem aprecia penetrar no interior do indecifrável universo humano e assistir um filme recheado de simbolismo e questionamentos está aqui uma grande dica.

Morreu ator que marcou anos 80/90


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Um dos filmes mais comentado e assistido no final de 80 e início de 90, contava a história de um casal feliz que, numa dessas viradas do destino, são separados pela morte. Mas, o amor é tão grande que nem mesmo esse acontecimento consegue impedir o amor dos dois: ele, como fantasma, através de uma médium, está sempre protegendo sua amada.
É, estamos falando de Ghost, do outro lado da vida. Lembram? Com Whoopi Goldberg, Demi Moore e Patrick Swayze. Velhos tempos, velhos nomes. A comediante Whoopi fez sucesso, Demi foi considerada uma das mulheres mais belas da época e era casada com o bonitão Bruce Willis e Patrick, bem, era um rosto sexy, com o corpo de deus grego que havia há pouco conseguido o sucesso com outra obra também famosa: Dirty Dancing (1987) e num futuro não muito distante, conseguiria nome novamente no surreal Donnie Darko.
Pois é, os tempos mudaram e a vida, mais uma vez, deu seu cheque-mate para alguns. O ator Patrick Swayze morreu essa semana no estado da Califórnia, EUA. Vítima de câncer no pâncreas desde 2008, de certa forma foi para nós um exemplo de força e luta, duas palavras tão fortes, característica de verdadeiro vencedor.
Mesmo doente, magro, abatido, ele nunca deixou de trabalhar e de continuar vivendo da melhor forma possível.
Eis algumas peculiaridades de sua história. Patrick foi bailarino clássico (sua mãe era coreógrafa e dançarina) e foi aí que nasceu sua paixão pelo palco e câmeras. Atuou em filmes famosos, como os mencionados acima, mas também encarou papéis no ótimo Caçadores de Emoção e o delicado e encantador Para Wong Fu, obrigado por tudo! (este, melhor que Priscila a rainha do deserto).
Também não podemos deixar de citar aqui sua tentativa de cantor quando gravou She’s like the Wind para a trilha de Dirty dancing. Muitas homenagens a ele estão sendo feitas ao redor do mundo: Hollywood, Berlim e muitos outros lugares, incluindo essa coluna, afinal, seu personagem Sam, em Ghost, vai ser eterno na lista dos mais do cinema.
Tudo indica que em breve sua esposa/viúva, lançará (como sempre acontece com todos os famosos) suas memórias em um livro. Quem se interessar, é só aguardar.

Filme se baseia em obra de Paulo Coelho


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Calma, antes de jogarem as pedras já afirmo: não sou fã, muito menos leitora de Paulo Coelho, mas convenhamos, os diretores gringos e o resto do mundo conhecem esse homem.
A diretora inglesa Emily Young foi a primeira a arriscar a dirigir uma obra do escritor brasileiro no cinema e o resultado... bem, é melhor vocês assistirem e tirarem suas próprias conclusões – mas já adianto, não criem expectativas.
Os roteiristas Larry Gross (o mesmo de 48 horas) e Roberta Hanley, conseguiram criar uma obra sem muita lógica, meio absurdamente absurda e que na tela transmite frio e vazio de emoções. A história é a mesma do livro: a eslovena de 24 anos, Veronika, que dessa vez está morando em Nova York, decide que deve morrer e toma uma overdose de calmantes por dois motivos: a vida que vivia era comum demais e o sentimento de impotência frente aos grandes problemas do mundo a atormentavam.
Adivinhem?! Após a tentativa, vai parar em um hospital psiquiátrico, lógico. Mas, o interessante é que descobre que realmente vai morrer e nesse exato momento começa a reconhecer seus verdadeiros sentimentos e descobre que viver vale a pena. Um belo clichê, mas até que o escrito tem algo de originalmente Paulo Coelho. Já o filme, é um desastre pela falta de empatia com os personagens e algumas situações ingênuas ao ponto de serem infantis no sentido mais pejorativo.
A atriz principal é Sarah Michelle Gellar, a mesma de Scooby- Doo, e continua como sempre: nada de excepcional.
O livro escrito em 1997/8 foi baseado nas próprias memórias do autor que também passou algum tempo de sua adolescência numa clínica. Aos realmente curiosos, assistam, mas nunca criem expectativas, pois a decepção pode ser grande.

Sid e sua turma estão de volta


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Começo essa coluna com um enorme pedido de desculpas aos fãs de animação. Como pude deixar passar a grande estréia nos cinemas das férias de julho? É lógico que estamos falando do neurótico esquilo Scrat (que agora tem uma namorada, Scratina), do desengonçado preguiça Sid, da mamute- gambá Ellie (que espera um filhote, Amora) e o maridão Manny, os gambás (irmãos da mamute) Eddie e Crash e do tigre Diego. A turma da Era do Gelo está de volta e mais engraçada do que nunca.
Dessa vez, Sid resolve adotar três ovos desconhecidos e, assim, descobrem que um mundo totalmente impossível de existir está ali, bem debaixo de seus pés. O filme une duas eras totalmente distintas e distantes alguns milhares de anos uma da outra: a era Glacial e a Mesozoica, resultando numa mistura de cores muito bem trabalhada pelos desenhistas e animadores.
Há, também, trechos parodiando vários outros sucessos de Hollywood, como Star Wars, King Kong, Jurassic Park e outros.
Um novo personagem, e muito mais louco do que os já anormais do bando, rouba a cena em várias passagens. O doidão Buck é uma doninha que há muito se encontra perdido no meio dos dinossauros e obcecado pela maior e mais perigosa das criaturas. É ele quem guia o grupo e os ajudam a resgatar o amigo Sid (que nessa altura da história, se encontra seqüestrado por uma fêmea T-Rex).
A história novamente explora o sentimento e importância de uma família. Unidos, apesar de todas as diferenças, tudo pode ser mais fácil e melhor. Só pra lembrar, o diretor é o brasileiro Carlos Saldanha, quem também criou os carismáticos personagens Scrat, Sid, Manny e Ellie. Simplesmente hilário.

Paulínia: um portal para nosso cinema


Marcelo Augusto da Silva
http://marceloaugustodasilva.blogspot.com

De uma cidade pequena no interior do estado não se pode esperar que ela ofereça algum incentivo ou espaço à cultura; mas para Paulínia isso é uma realidade. Fundada em 1964 e contando hoje com sessenta mil habitantes, ela é um exemplo de que há como investir nesse setor e atingir bons resultados.
Independente de ser politicagem ou não esse município merece reconhecimento, pois de alguns anos para cá muito se tem feito para impulsionar o cinema nacional. Hoje a cidade conta com um estúdio, uma escola de cinema, cursos gratuitos na área cinematográfica e afins que estão dando oportunidades a muitos jovens e um mega teatro equipado com todos os recursos tecnológicos do momento com uma capacidade para mil e trezentas pessoas. Tudo isso – cujo investimento passa dos cem milhões de reais – transformou atualmente o município num pólo cinematográfico, capaz de dar suporte para realização de grandes produções.
Provavelmente esse investimento teve apoio das empresas ali instaladas, principalmente a Petrobrás que sempre apoiou o cinema nacional, já que a cidade abriga grandes refinarias de petróleo e a arrecadação do município com isso atinge altos níveis. Nada mais coerente do que devolver esse dinheiro à população.
Na semana do dia 09 a 16 desse mês a cidade realizou o II Festival Paulínia de Cinema que apresentou gratuitamente grandes filmes ao público que variavam entre longas e curtas-metragens e também documentários. O evento concentrou várias pessoas da área, as quais puderam discutir sobre as obras, deu espaço a novos talentos do cinema e também a oportunidade de muitos filmes serem divulgados e de disputarem um prêmio; além disso, o festival ofereceu uma mostra paralela com a exibição de outros longas-metragens, antes das apresentações dos concorrentes, também com entrada franca à população. No dia da premiação, onde o vencedor foi o longa “Olhos Azuis” de José Joffily, houve um show de encerramento exclusivo para os convidados com os Paralamas do Sucesso, cujo vocalista teve um documentário sobre sua vida disputando o festival, “Hebert de Perto” de Roberto Beliner e Pedro Bronz, que acabou levando o prêmio de melhor direção de documentário. No dia seguinte ao término do festival os Paralamas realizaram outra apresentação, também gratuita, desta vez para toda a população no sambódromo da cidade para um público de mais de seis mil pessoas.
Certamente no futuro a cidade deverá cada vez mais investir no cinema que terá grande possibilidade de ver nascer ali grandes produções, além do que cada vez mais o festival e a atividade cinematográfica só terão a crescer. Esse é um exemplo do bom emprego do dinheiro público, mesmo para aqueles desinformados que acham que lazer e cultura não são essenciais para uma vida de qualidade ou então que só se deva aplicar os recursos naquilo em que se obtenha um resultado financeiro; contrariando essa idéia equivocada o cinema em Paulínia está também a gerando renda e emprego.

Trama Internacional - filme alemão


Carol ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Clive Owen é um agente secreto que encara um grande banco internacional envolvido com terrorismo, uma série de mortes, lavagem de dinheiro e várias outras atrocidades.
Apesar de não ter sido muito bem recebido no festival de Berlim, evento em que foi a atração de abertura, o longa do diretor alemão Tom Tykwer é um bom filme que faz a linha drama/suspense e cuja proposta é fazer refletir sobre a real posição de gente com muito dinheiro. Será que é possível existir bancos e democracia, sem que nenhum saia prejudicado? Os bancos usam nosso dinheiro adequadamente?
Sorte para uns e azar para outros, mas o fato é que o tema caiu como uma luva diante da fase econômica que o mundo está vivendo (e isso realmente foi uma incrível coincidência, já que a obra começou a ser trabalhada há três anos atrás e nunca sofreu modificações. O filme mostra a história de um agente da Interpol que, junto com uma promotora (Naomi Watts), decide desmascarar operações ilícitas de uma grande instituição financeira, além de tentar solucionar a morte (ou assassinato) de um colega que também estava a par das investigações. Muita tensão, adrenalina e ação rodeiam essa história que, aliás, lembra muito os antigos filmes de Hitchcok, cheios de paranóia e possibilidades absurdas. Uma das mais impressionantes cenas é a que ocorre num museu de Nova York. Prestem atenção na hora em que ocorre o tiroteio, uma verdadeira mostra de violência e medo em que Owen está muito bem quando transfere para o público a sensação de terror que o apossa. Fica aqui uma dica para quem quer se divertir e pensar em frente a mais um longa. É bom, mas continua sendo um filme alemão com toques quase que inteiramente holliwoodianos. Vale pela diversão!

Jean Charles, um filme que choca


Carol Ortiz
cacal.ortiz@hotmail.com

Está em exibição nas salas de cinema do país, o nacional Jean Charles¸ filme com Selton Mello e Vanessa Giácomo, que relata a trajetória e morte do brasileiro confundido com um terrorista no metrô em Londres.
Com a direção de Henrique Goldman, o filme choca pela simples narrativa dos fatos. As coisas são como realmente são, e não há nada que embeleze uma atitude fria e impensada do ser humano.
O longa começa com o lado “brasileiro” das coisas. Goldman consegue mostrar a vida difícil e sacrificada de brasileiros que abandonam tudo e vão em busca de uma melhor condição financeira em um país distante sem perder o bom humor e a persistência. O “jeitinho brasileiro”de ser foi perfeitamente passado por Selton, na pele do bom humorado, acolhedor e atencioso Jean Charles de Menezes, mas quem rouba algumas cenas e nos fazem rir é Luis Miranda, que encarna o papel de Alex, primo de Jean.
Na maior parte da obra, as cenas são recheadas do nosso “dom” brasileiro de enfrentar e arrumar as coisas, além de mostrar uma família unida (para quem não sabe, Jean, que morava há três anos na Inglaterra, encorajou alguns primos a tentar a sorte naquele país e, além de dar um grande apoio material, ajudou-os encorajando-os e mostrando novas possibilidades – esse fato é admirável em Menezes), sempre disposta a trabalhar e ganhar a vida. A novidade está no fato de como Goldman arrumou os atores. Com um anúncio no jornal, selecionou vários brasileiros que viviam realmente aquela situação e os convidou para participar da obra. Merece destaque Patrícia Armani, que na vida real é ela mesma, ou seja, a prima verdadeira que morava com Jean na época em que tudo aconteceu.
O chocante e assustador está reservado para o final. Como o ser humano pode ser tão irracional e colocar em risco a vida de outro sem nada concreto? A cena em que Jean é morto friamente pela polícia da Scotland Yard é angustiante e nos faz refletir muito sobre as diferenças existentes no mundo.

Cineclube Paradiso apresenta “O Baile

Comemorando três anos de criação, amanhã, às 16h, o Cineclube Paradiso, apresenta o filme, O Baile. A obra tem a direção do italiano Ettore Scola, o consagrado diretor de “Splendor”, “Nós Que Nos Amávamos Tanto”, “Um Dia Muito Especial”,Casanova e a Revolução”, “A Viagem do Capitão Tornado” e tantos outros. O filme é de 1983 e recebeu, entre outros prêmios, o David de Donatello e o César.
Num grande salão de baile, construído nos anos 30, as mulheres são as primeiras a chegar, uma após a outra: uma quarentona clássica, uma loira que faz como se tivesse vinte anos...
Em seguida, entram os homens, que se dirigem ao bar. Entre eles, encontram-se um indivíduo cheio de tiques e que não para de chupar bombons, um outro de idade madura, mas sempre bem disposto, um homem tímido com ar amedrontado.
Enquanto dançam ao longo do salão, homens e mulheres se recordam do passado, com os bailarinos mudando de personagem à medida que o filme viaja no tempo, repassando a história da França dos anos 30 aos anos 80.
Assim, em 36 surge a Frente Popular dando força à classe trabalhadora; em seguida, é retratado o período de ocupação nazista: em 44, quando Paris é libertada pelas forças aliadas, um oficial alemão e um colaborador são repelidos, enquanto um membro da Resistência é recebido como herói, ao mesmo tempo em que explode a música norte-americana; em 46, soldados ianques trazem meias de seda e o jazz; em 56 chega o “rock’n’roll”; em 68, estudantes radicais tomam conta do abandonado salão de baile; em 83, é a vez da música “discô”.
O BAILE trata-se de um filme envolvente, cuja principal característica é a de não ter diálogos. Assim, ao longo de quase duas horas, o espectador se delicia com um grupo de atores e atrizes interpretando diferentes papéis em função da época retratada, o que é feito através de mímica, dança e música.
Não percam este ótimo filme de Ettore Scola. A entrada é franqueada ao público.

Irmãos Coen provocam risos novamente


CAROL ORTIZ 
cacal.ortiz@hotmail.com


Primeiro foi Fargo, depois foi O grande Lebowski, aí partiram para um estilo mais agressivo como O homem que não estava lá e o sucesso de Onde os fracos não têm vez. Agora, mais de dez anos após sua última grande comédia, os irmãos retornam com o hilário Queime depois de ler.
Imaginem a situação: um agente da CIA, Osbourne Cox (John Malkovich) tem sérios problemas com álcool e é demitido. Como vingança, ele decide escrever uma autobiografia detalhada e armazena tudo em um CD. Acontece que, ao freqüentar academia, acaba esquecendo seu manuscrito no vestiário que, mais tarde vai parar nas mãos de dois funcionários do local: uma determinada Frances McDormand (a policial grávida de Fargo, lembram?) e um completamente idiota Brad Pitt.
A partir daí, o impossível começa a acontecer. Os dois se achando espertos chantageiam Cox, que por sua vez, é casado com a neurótica Tilda Swinton, que por sua vez é amante do mulherengo e atrapalhado agente George Clooney, que por sua vez, acaba tendo um caso com a histérica Frances McDormand.
Pronto, o círculo da confusão está armado e muitas risadas e situações absurdas começam a ocorrer.
Queime depois de ler pode ser classificado tanto como uma comédia física, ou seja, passa perto de um pastelão, quanto um filme em que seus personagens são realmente tristes e solitários e que, conduzem esses sentimentos à situações engraçadas.
Bom, nem precisamos dizer que alguns terminam com um trágico final, enquanto outros conseguem seus objetivos (e para perceber isso basta observar Frances McDormand que, aliás, é uma das pessoas mais teimosas e determinadas na história do cinema mundial).
Enfim, é um ótimo passatempo com o gostinho amargo, bizarro e completamente imprevisível dos irmãos Ethan e Joel Coen. Risos garantido!

Sean Penn dá um mergulho na solidão


CAROL ORTIZ 
cacal.ortiz@hotmail.com

O ex-marido da cantora Madonna está novamente na direção de outro filme. Depois do sucesso de Sobre Meninos e Lobos, chegou a vez de Na Natureza Selvagem, um longa que se baseia na história real de Christopher McCandles, o jovem americano de 22 anos que foi ao encontro de novas experiências, em busca do seu verdadeiro eu no Alasca.
Chris, após terminar a faculdade, sai em busca de suas próprias verdades assim que doa todos os bens que possui, abandonando a família, amigos e tudo mais.
Esse fato, que também se encontra narrado em livro (inclusive com publicação no Brasil), aconteceu em 1992 e o diretor conseguiu fazer disso uma obra sensível e romântica. Quem nunca se imaginou largando tudo que possui para viver simplesmente só com a natureza ao redor?
O filme é muito bonito e o protagonista Emile Hirsch dá um show de interpretação. A trilha sonora ficou por conta de Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam), que acompanhou de perto toda a narrativa e desenrolar das filmagens. Uma das cenas mais marcantes é o encontro de Chris com um veterano de guerra, Ron Franz (Hal Holbrook, que recebeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante). Durante seu percurso, a personagem vai conhecendo lugares e pessoas que também estão na estrada, sofrendo, aprendendo e ensinando com os novos amigos. 
Mas, o que realmente faz o diferencial é o realismo (mesmo assim, ainda longe da obra original) da vida e do mundo. Não é tão simples viver sozinho, a mercê da natureza. Para isso, o diretor mostra abertamente o definhamento físico e talvez espiritual que Chris passa durante toda a sua saga e, apesar de tanta dor, é impossível não terminar a sessão com um espírito aventureiro tentando se libertar de nosso âmago profundo.

Tem filme interessante nessas férias


CAROL ORTIZ 
cacal.ortiz@hotmail.com

Após as festas de final de ano, muitos encaram as longas férias de verão e, na falta de opções para ocupar o tempo que sobra, recorremos, muitas vezes, aos filmes. 
Tem estréias novas e interessantes pelo pedaço. Quem gosta de alienígenas e efeitos especiais pode conferir o remake de O dia em que a Terra parou, de Scott Derrickson. A história é do belo ET, Keanu Reeves, que invade nosso planeta (ou melhor, conforme uma de suas falas no longa: “nosso”planeta? O planeta não é exclusivamente dos humanos...”). A idéia central é interessante, embora um pouco diferente do filme original. Aqui, a preocupação de Klaatu é salvar todas as formas de vida da destruição causada pelo homem. Nada que chegue a ser tão original assim, mas vale pela tentativa de reflexão que força o telespectador a desenvolver.
Embora todo o sucesso que o remake está fazendo e, conseqüentemente, o dinheiro (que não é pouco) que está arrecadando – na primeira semana arrecadou U$ 31 milhões só nos EUA – O dia em que a Terra parou é um filme medíocre, mas que serve para entreter na falta de um outro programa (não podemos negar, os efeitos especiais são muito bons, mas cinema não é só tecnologia).
Uma dica para quem for assistir: não esperem o mesmo Keanu de Matrix ou Caçadores de emoções, pois infelizmente ele não conseguiu equilibrar muito bem sua personagem extraterrestre. Prestem atenção no garotinho Jaden Smith, filho de Will Smith, que apesar de tudo, é um bom ator mirim.
Outra opção muito superior a esse longa e que também pode ser conferido, é o novo filme dos irmãos Coen (de Fargo, lembram?). Queime depois de ler provoca risos mesmo com a marca registrada de humor negro dos irmãos diretores. Aguardem a próxima coluna, que maiores detalhes serão expostos sobre o hilário filme em que um excelente Brad Pitt consegue ser mais idiota do que o Mr. Bean. Só vendo para crer!

Cinema: Ghost World, um filme que ensina a viver


CAROL ORTIZ
cacal.ortiz@hotmail.com

Bem longe dos apelos sentimentalistas de Hollywood essa produção, que agora está disponível em DVD, fala das dores e dificuldades que implicam o crescimento. Entrar no mundo adulto e se adaptar a esse novo estilo de vida (se é assim que podemos chamar essa nova etapa, cheia de responsabilidades e doses cavalares de realidade) é um desafio sem volta.
Baseado num gibi underground de Daniel Clowes, trata da história de duas amigas que chegam ao final do colegial (observem que as cenas são reescritas por uma das amigas através de seu diário que é um livro em que ela faz desenhos sobre os fatos). Enid e Rebecca se deparam com aquela famosa encruzilhada que todos passam: e agora, o que farei com minha vida? Será que ainda seremos as melhores amigas?
O mais interessante é como o filme mostra que o ritmo de amadurecimento é extremamente individual e que, enquanto alguns se prendem numa época em que tudo é mais simples e enfrentam maiores dificuldades com a adaptação à nova fase, outros mergulham de cabeça e encaram a vida adulta com mais seriedade. A história, conforme já foi dito, trata de duas amigas que precisam crescer e sobreviver a tantas mudanças e novidades. Enquanto uma começa a trabalhar e procura sua independência financeira e emocional, a outra resolve andar por caminhos opostos, se recusando a abandonar suas antigas paixões e atrapalhando tudo ao seu redor.
Com Tara Birch, de Beleza Americana, Steve Buscemi e Scarlett Johansson, é uma obra que faz bem ao nosso íntimo. Para os adolescentes é indispensável e para os adultos é completamente nostálgico. É impossível passar despercebido para o público mais velho, pois desperta saudades e muita identificação. Porém, não esperem nada de enlouquecedor, ou algo como American Pie e coisas do gênero. É um filme sério e que trata com muita sensibilidade e realidade uma fase tão importante e marcante quanto é essa.
Ghost World – aprendendo a viver é um daqueles filmes que resgata uma fase da nossa vida e nos faz refletir sobre coisas já vividas. Muito bom!